LUNETA: Como proteger os meninos da radicalização com mais afeto
quinta-feira, 07 de agosto de 2025, 16h36
Eddie só estava pesquisando sobre academia e exercícios físicos, mas começou a receber no celular propagandas “falando sobre como tratar mulheres, sobre como ser homem e tudo mais”. A reflexão do personagem de “Adolescência” (Netflix) mostra como grupos masculinos de ódio contra mulheres operam nas redes sociais e acabam encontrando homens e meninos. Na série, a masculinidade tóxica é uma das explicações possíveis para abordar o caso de Jamie, filho de Eddie que, aos 13 anos, é acusado de feminicídio.
“O algoritmo sabe que é um menino que está ali e entrega sem dó esse tipo de conteúdo a ele”, diz Felipe Fortes, médico hebiatra, especialista em saúde dos adolescentes. Assim, “a partir do momento em que é bombardeado por conteúdos de ódio, que são sempre muito curtos, sem reflexão e extremamente estimulantes para um cérebro ainda em formação, seu arcabouço psíquico vai se ‘dessensibilizando’ em relação à violência. Ou seja, a formação emocional se constrói com esse terrível viés e feridas psíquicas podem surgir”, explica.
O estudante universitário Lury Morais começou a acessar conteúdos com teor machista e misógino na adolescência. Segundo ele, havia também menores de idade participando de alguns desses grupos exclusivamente de homens. “O canal de memes é a porta de entrada”, conta. Então, conforme explica, primeiro você entra em um grupo geral, com páginas com humor disfarçado de discurso de ódio. Depois, começa a acessar “locais mais obscuros”. “No Instagram, havia memes antifeministas e misóginos, enquanto no Telegram havia conteúdo bem mais explícito com cenas de agressões a mulheres e vídeos celebrando o nazismo.”
Ao se dar conta da gravidade dos conteúdos, e, principalmente, por não se identificar com o ideal de “homem alfa” pregado nesses grupos, Lury decidiu romper com todos os ambientes. “Só depois de adulto, consegui compreender melhor. Entrei para aprender sobre como me tornar homem, mas comecei a me questionar o que eu estava fazendo ali. Não fazia mais sentido estar com aquelas pessoas.”
“Não aprendi nada sobre masculinidade, apenas como ser violento.”
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