Núcleo Judiciário da Mulher do TJDFT promove palestra sobre violência contra mulheres negras
sexta-feira, 09 de agosto de 2024, 17h42
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O Núcleo Judiciário da Mulher (NJM) do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) realizou, em alusão à Semana Nacional Justiça pela Paz em Casa de agosto deste ano, a palestra “Expressões do Racismo na dinâmica de violência doméstica e familiar contra mulheres negras” na manhã desta sexta-feira, 9/8, no Miniauditório do Fórum de Brasília.
A palestra, ministrada pela Professora Doutora Bruna Cristina Jaquetto Pereira, foi voltada para servidores(as) dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher do Distrito Federal e para o público externo ligado à rede de prevenção e enfrentamento à violência contra as mulheres.
Bruna Pereira citou estatísticas de violência contra a mulher no Brasil e no Distrito Federal e destacou que o número de homicídios de mulheres negras no país é maior do que o de mulheres brancas. Neste contexto, explicou a dinâmica de interseccionalidade entre os fatores gênero e raça na violência contra a mulher. “As mulheres são assassinadas não somente por serem mulheres. São assassinadas porque são mulheres negras”, ressaltou a pesquisadora.
Ao final da palestra, Bruna Pereira convidou os participantes debaterem possíveis mudanças para o cenário da violência doméstica contra mulheres negras no país. “É preciso muita sensibilização. Então acho importante compartilhar, que esses estudos não fiquem apenas dentro das universidades, mas também pensar em formas de podermos gerar mais escuta, mais debate e mais humanização das pessoas negras. Porque sem isso a gente não consegue avançar”, finalizou.
A Supervisora do NJM, Renata Bevilaqua Chaves, destacou que “não basta que saibamos dados estatísticos que apontam que meninas e mulheres negras são as maiores vítimas de violência doméstica. É fundamental que, enquanto profissionais que atuam com essa temática, possamos problematizar esse cenário, trazer luz ao racismo associado às questões de gênero e buscar vias de enfrentamento”.
Já Letícia Custódio, Supervisora Substituta do NJM, afirmou que “se a gente pensa em prevenir e proteger a violência contra as mulheres, a gente tem que entender quem são essas mulheres, que têm classe social, tem raça. E se a gente pensa no contexto brasileiro e o do Distrito Federal, em que mais de 80% dos feminicídios tem como vítimas mulheres negras, precisamos incorporar essa temática. Tem que ser algo que faça parte do nosso cotidiano. Então, para mim foi muito importante que todas e todos que compareceram estiveram dispostos a discutir esse tema”, disse.
Fonte:TJDFT