Ministério Publico do Estado de Mato Grosso

ARTIGO

Os Militares e a proposta de Reforma da Previdência

por ARNALDO JUSTINO

sexta-feira, 29 de março de 2019, 15h47

Todos os jornais de grande circulação noticiam que a reforma da previdência está travada na Câmara Federal, desde quando a Presidência da República apresentou a proposta de mudanças nas regras a serem aplicadas aos militares, que traz benefícios não concedidos aos trabalhadores civis.

Bradaram muitos deputados federais no sentido de que o governo e sua equipe econômica têm que ir ao Congresso para explicar o porquê desse tratamento desigual, quando a promessa era de que todos seriam tratados de forma isonômica.

Isso me faz lembrar o que escreveu Platão, em sua obra A República. Para o filósofo grego, o Estado é formado por três classes: Governantes, Operários e Guerreiros, cada qual possuidora da respectiva virtude, quais sejam: sabedoria, temperança e coragem. Sabedoria é necessária aos governantes para que possam conduzir com correção os rumos da nação.

Aos operários é preciso temperança para aceitarem dividir a produção com as demais classes, permitindo-as subsistir. Os guerreiros, que nada produzem, são importantes para a defesa do Estado e da sociedade.

Hoje em dia, parece que os guerreiros também estão precisando de temperança, não lhes bastando mais só a coragem, pois ao que parece estão querendo mais privilégios do que os operários, estes sim a força de sustentação da coletividade, sem os quais nenhuma classe poderia se manter.

Nada contra os guerreiros, apenas chamo a atenção para uma equação lógica, sem me iludir com a inafastável constatação de que atualmente os guerreiros são governantes e os governantes são guerreiros.

A esperança é que o governante ainda possa lembrar que agora, ao contrário do apregoado por Platão, mudou de classe, mas a principal lição do mestre, a base de tudo, é invencível: os guerreiros não devem ansiar por privilégios, mas sim por uma vida razoável para que possam subsistir sem produzir, mas nunca perdendo de vista que os operários, que sustentam a nação, não são escravos para bancar privilégios de ninguém.

ARNALDO JUSTINO é promotor de Justiça em Mato Grosso

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