Setembro Amarelo: Círculos de Construção de Paz como estratégia para prevenção ao suicídio
por Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJM
segunda-feira, 02 de outubro de 2023, 16h48
Durante todo mês, inúmeras ações foram realizadas pelo Poder Judiciário de Mato Grosso para reforçar a campanha de combate ao suicídio e valorização da vida ‘Setembro Amarelo’. Uma série de conteúdos e publicações foi realizada com o objetivo de sensibilizar e promover reflexões sobre a importância do dialogo, o valor da escuta ativa, a necessidade de estarmos atentos aos sintomas característicos da depressão, os possíveis gatilhos que desencadeiam um quadro depressivo, a busca por apoio especializado e os cuidados com a saúde emocional.
E para encerrar o mês, hoje vamos falar sobre a importância da rede de apoio na prevenção do suicídio. A atenção cuidadosa e o apoio emocional, isentos de críticas e julgamentos são grandes aliados na promoção do bem-estar psíquico, e podem ser o diferencial para a prevenção de ideias autodestrutivas e salvar vidas.
Estabelecer uma rede de apoio no ambiente de trabalho é vital para inclusive, identificarmos os primeiros sintomas de um possível quadro depressivo ou de transtorno.
Nesse contexto, o Projeto ‘Servidor da Paz’, que inaugurou os Círculos de Construção de Paz entre os servidores do Poder Judiciário, tem o poder de contribuir no sentido de aproximar as pessoas, e permitir dentro de um ambiente seguro de dialogo, que as emoções sejam expressadas. Até mesmo o dialogo mais simples, pode ser o gatilho para o início de um processo de cura. Quando a pessoa se comunica, ela inicia um processo em que precisa elaborar seus sentimentos e encontrar a melhor forma de externar suas emoções. E é por meio da fala que a dor pode ser elaborada, manejada e reduzida. E nesse processo, a escuta ativa e acolhedora tem o papel fundamental de trazer equilíbrio e alívio às dores.
Apesar de ter sintomas parecidos, a depressão se manifesta de diferentes formas em cada pessoa, que demonstra e reage de maneiras diferentes, sobre aquilo que a afeta e como a afeta, afirma o médico da Família, com pós-graduação em Psiquiatria, Werley Peres.
“Acho que o importante não é alertar quem está doente, e sim, alertar quem não está doente, quem está em torno da pessoa. Nós vivemos mais tempo no trabalho, do que em qualquer outro lugar, então a gente precisa perceber quando o nosso colega do lado não está bem. E quando falamos de rede de apoio, nós primeiro temos que perceber que aquela pessoa existe, porque é da natureza humana não prestar atenção naquilo que está desbotado, sem cor e sem vida, e esse é exatamente o momento em que a pessoa mais precisa de atenção. Quem está perto, precisa observar que o colega está apagado, que mudou o jeito de ser, que está mais calado, que perdeu o rendimento, que deixou de se socializar, que se isolou e que está faltando ao trabalho, daí, em uma postura sem críticas e julgamentos, é importante entendermos por que aquela pessoa está faltando o trabalho, por exemplo?”, alertou o médico Werley Peres.
Quando sentados em círculo, os participantes têm a chance de colocar suas necessidades, expressar seus medos e compartilhar sobre sonhos, projetos e objetivos de vida. Quando conhecemos aquilo que dói no outro, é mais fácil compreendermos suas atitudes e reações diante de uma demanda de trabalho, a irritabilidade demonstrada em uma conversa que possa ter liberado algum gatilho negativo ou até mesmo uma hipersensibilidade diante de criticas e comparações. A compreensão sobre a atitude do outro também abre caminho para a solução e a prevenção de conflitos.
“O que preocupa é quem não está ligado a uma rede de apoio. O médico ajuda no desabrochar dessa pessoa, mas é a rede de apoio que faz a pessoa tomar outra proporção diante da vida. E quando essa pessoa percebe o interesse genuíno de alguém por ela, ela entende isso como uma mensagem “alguém gosta de mim; ele se preocupa comigo”, então ela passa a se sentir percebida pelo outro e para de se ver como um empecilho ou um problema”, conclui Werley.
#Paratodosverem - Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Primeira imagem: Círculo de Construção de Paz realizado com a Comissão de Assédio do Segundo Grau do Poder Judiciário de Mato Grosso. Segunda imagem: Em destaque, o Objeto de Centro de um Círculo de Construção de Paz composto por objetos de afeição do grupo e os valores que regem o circulo.
Naiara Martins/Fotos: Alair Ribeiro
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT
Fonte: TJMT