TJRS - Caso Ronei Jr.: tarde do segundo dia de júri começou com as defesas dos réus
terça-feira, 12 de julho de 2022, 17h30
A retomada do júri na tarde desta terça-feira (12/7) teve início com a fala das defesas dos réus, às 14h45. O tempo de 2 horas e 30 minutos foi dividido entre três.
As Advogadas Aline Hilgert e Paula Suso Kisner, que defendem Cristian Silveira Sampaio, foram as primeiras a apresentarem as alegações defensivas. "Quando se fala em fazer justiça, precisamos dar atenção à algumas questões para não cometer injustiça. Ninguém discute a dor da família e se o fato ocorreu. Agora, é árduo o trabalho da defesa, em especial para mim, neste caso, pois precisamos convencer os senhores de que quem está sentado ali é inocente. Mas, quando ele senta ali já é tarde. Ele já está preso há 7 anos. Ele já foi punido anteriormente", salientou Paula Kisner.
Sobre o álibi, a Defesa esclareceu que "quando as testemunhas não sabem precisar os minutos e a exata ordem do ocorrido, é possível ajustar e tornar válido esse depoimento, mas, esse ajuste só não vale quando é para os réus".
Ela seguiu dizendo que de 21 testemunhas e vítimas ouvidas neste caso, nenhuma teria apontado Cristian como partícipe. "Dos 9 réus, 3 apontaram a participação dele. Só que nenhum desses 3 ratifica essa participação", frisou.
A Advogada também disse que o réu defendido por ela chegou a ir depor voluntariamente na delegacia porque não temia ser preso. Por fim, ela pediu a absolvição do réu Cristian Silveira Sampaio.
Após, foi a vez do Advogado Fabiano Justin Cerveira, que defende Jhonata Paulino da Silva Hammes.
Ele apresentou os depoimentos de réus já condenados, na fase policial, em 2015. De acordo com o Defensor, "o acusado Leonardo Cunha não assumiu que agrediu o senhor Ronei com a voadora. Quando falamos do Vinicius, ele também negou e não falou que deu a ordem. O Peterson, além de negar que deu a garrafada, disse que não gravou o áudio do ocorrido e que não sabia quem tinha cometido as agressões. O Jhonata, na fase policial, disse que ao sair do clube, naquela noite, tentou dar um soco em Richard e caiu no chão. E disse que não lembra de mais nada".
A tese defensiva é de que desde o primeiro momento, Jhonata assumiu que tentou agredir Richard, diferentemente dos outros corréus. "Desde o início ele diz: a minha intenção era dar um soco em Richard, era agredir Richard." Sobre a soqueira, o Advogado disse que o objeto surge como se Jhonata tivesse saído de casa de posse dessa soqueira, o que representaria a intenção de agredir alguém. "Há um equívoco nessa interpretação", ressaltou. Cerveira mostrou o depoimento de uma testemunha que disse não ter visto a soqueira e também que ele não teria voltado ao local, após tentar dar soco em Richard. Outra testemunha também teria confirmado, segundo ele, reconhecer Jhonata na festa, mas não no tumulto.
O Advogado ainda sustentou que a possibilidade de Ronei Jr. ter uma doença preexistente contribuiu para a morte dele.
"Se querem condenar, condenem pelo justo, pois não há prova de que o Jhonata estava com a soqueira. É justo ele ter a mesma pena do Peterson, que deu as garrafadas, do Leonardo, que deu a voadora no pai? Não é a mesma conduta", finalizou o Advogado Fabiano Cerveira ao pedir para os jurados a redução da pena, em caso de condenação.

Advogado Fabiano Cerveira sustenta sua tese de que Jhonata "contribuiu para o resultado, mas não foi determinante"Créditos: Juliano Verardi
O Defensor Público Eledi Amorim Porto atuou em defesa de Matheus Simão Alves e foi o último a se manifestar. "Nada que eu disser vai diminuir a dor da família, e neste júri, hoje, está a dor e o sofrimento. Só posso fazer essa defesa se me afastar da dor e do sofrimento. E o mesmo para os senhores, só poderão julgar com afastamento da dor e do sofrimento", afirmou ao se dirigir aos jurados.
Ele começou pedindo imparcialidade aos jurados, "sem preconceitos e paixões para a apresentação das provas". E fez um retrospecto dos outros dois julgamentos anteriores: "Conforme vai havendo a condenação dos seis réus, acaba se formando um convencimento da sociedade e uma consciência coletiva, pois a prova vai enfraquecendo a cada júri, e a sociedade acha que todos devem ser condenados".
Estes três últimos réus, segundo o Defensor, "tem pouca prova". As defesas do Cristian e do Matheus são parecidas pelo mesmo álibi, afirmou ele, mas disse que quando preparou a defesa do Matheus, só cuidou dele.
"O Ministério Público botou todos no mesmo saco e diz para não analisarem a prova. Tem que abrir esse saco e tirar o Matheus. Eu pinçei as testemunhas que disseram que Matheus não estava lá. Não são só as duas irmãs. Quem disse que viu, confirmou que ele estava com a namorada na parada".

Defensor Eledi Amorim Porto pediu a absolvição do réu Matheus AlvesCréditos: Juliano Verardi
Seriam 17 testemunhas que não viram e 2 que viram Matheus junto aos demais acusados, conforme a fala da defesa. A maioria é de réus, que negaram a presença de Matheus no fato, de acordo com o Defensor Público.
"Com autorização do meu assistido, a única tese que defendo é a de absolvição, seguindo a verdade processual de que ele não participou", finalizou o Defensor.
A próxima etapa do julgamento é a réplica solicitada pelo Ministério Público, com início às 17h10.
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FONTE: TJRS