Justiça nega revisão de sentença de dois acusados de matar casal em Rio Branco
terça-feira, 28 de junho de 2022, 16h53
Também foi negado pela justiça a apelação do Ministério Público Estadual que pedia que outros dois que foram absolvidos na época do júri passassem por novo julgamento.
A Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Acre rejeitou o recurso de revisão de sentença de Marciano Melo Marinho e Jefersson Almeida da Silva, ambos condenados a 40 anos cada um pela morte de Tereza da Silva Santos, de 64 anos, e Cosmo Ribeiro Moura, de 43, em janeiro de 2020, em Rio Branco.
Com a análise do recurso, ficou mantida a sentença da 1ª Vara do Tribunal do Júri de Rio Branco. A decisão foi por dois votos a um dos desembargadores, que teve como relator o desembargador Pedro Ranzi.
Negado o pedido, fica mantida a condenação de Marciano Marinho a 40 anos de prisão e Jefersson Almeida da Silva a 40 anos de reclusão. Antônio Eliel de Sousa Gomes também foi condenado a 30 anos pelo crime, mas não consta que tenha apelado.
Além disso, a apelação também negou o pedido do Ministério Público Estadual (MP-AC) que buscava a anulação da decisão do conselho de sentença e que fosse feito um novo julgamento de Francisco Almeida da Silva e Alisson Souza de Olinda que foram inocentados, no julgamento do ano passado.
O crime ocorreu em 2020, quando a casa das vítimas, no bairro Belo Jardim, região do Segundo Distrito de Rio Branco, foi invadida e os dois foram assassinados a tiros e golpes de facão. O duplo homicídio foi descoberto quando o vizinho viu o carro do casal em cima da calçada, foi olhar, encontrou as vítimas e acionou a polícia.
A defesa de Marciano informou ao g1 que vai recorrer da decisão junto ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). “Iremos recorrer e, acreditando na redução da pena, porque a decisão dos desembargadores não foi unânime, tendo em vista que doutora Denise Bonfim reconheceu a redução para 33 anos”, disse a advogada Faima Jinkins Gomes.
O g1 não conseguiu contato com a defesa de Jeferson da Silva.
Motivação do crime
Após quase três meses de investigações, a Polícia Civil concluiu o inquérito da morte do casal. Em entrevista ao g1, logo depois da conclusão do inquérito, o delegado responsável pelo caso, Martin Hessel, afirmou que a motivação do crime foi porque a vítima Cosmo Ribeiro Moura confrontava a facção que atuava no bairro por não aceitar as determinações da organização criminosa.
Inicialmente, a polícia suspeitou que o crime tinha ocorrido durante uma tentativa de assalto e que teria sido um latrocínio. Mas, essa hipótese foi descartada e ficou confirmado que o casal foi vítima de uma execução.
Ao todo, seis suspeitos foram indiciados pelo crime de duplo homicídio com as qualificadoras: motivo fútil, meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa das vítimas e pelo crime de integração a organização criminosa.
Entre os seis indiciados, segundo o delegado, um seria o mentor do crime, o outro teria autorizado e os outros quatro foram os executores. Cinco suspeitos estão presos e um segue foragido, sendo que agora dois vão ser soltos após serem inocentados durante o julgamento.
Um sétimo suspeito também estava na lista dos que seriam indiciados pelo crime, mas, ele foi morto durante uma tentativa de assalto a uma chácara no último dia 25 de março.
FONTE: G1