Ministério Publico do Estado de Mato Grosso

GAZETA

Policiais militares são denunciados pelo MPE

sexta-feira, 06 de setembro de 2019, 10h01

ALINE ALMEIDA
DA REDAÇÃO

Ministério Público do Estado (MPE) ofereceu denúncia contra 5 policiais militares investigados pela operação Coverage. Foram denunciados o 2º tenente Cleber de Souza Ferreira, tenente Thiago Satiro Albino, tenente-coronel Marcos Eduardo Ticianel Paccola, tenente-coronel Sada Ribeiro Ferreira e o 3º sargento Berison Costa e Silva. Eles são acusados de fraudar sistema da Polícia Militar para esconder crimes de homicídios supostamente praticados por Cleber. O MPE requer a perda dos cargos públicos e que os militares sejam condenados a pagar indenização. Um dos apontamentos da denúncia é de que a arma de Cleber foi indicada como utilizada em 7 crimes investigados na operação Mercenários, entre 2015 e 2016.

A arma estava registrada junto ao Exército Brasileiro em nome do tenente, no entanto, os militares tiraram do inquérito a página que comprovava a propriedade. Eles  anexaram um novo documento confirmando que o armamento era da PM e foi doado pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso em setembro de 2017, portanto, após os crimes em que Cleber figura como investigado. O grupo ocultou a existência do laudo pericial e do termo de cautela da arma utilizada pelo tenente. “A ausência dos documentos foi proposital, considerando que a organização criminosa necessitava de tempo hábil para falsificar registro de cautela da arma e inserir os dados falsos no sistema”, destaca o MPE.

Os denunciados devem responder pelos crimes de organização criminosa, embaraço de investigação em 3 inquéritos, falsidade ideológica, fraude processual e inserção de dados falsos em sistema de informações. A investigação surgiu após Cleber ser preso na operação Assepsia (que investigou facilitação na entrada de celulares na Penitenciária Central do Estado). No celular dele foram encontradas conversas que revelavam o esquema de falsificação do registro da arma. Consta na denúncia que os oficiais militares utilizaram-se de seus cargos e funções de relevância para fomentar esquema criminoso voltado à adulteração de registros de armas de fogo, mediante falsificação documental e inserção de dados falsos em sistema informatizado da Superintendência de Apoio Logístico e Patrimônio da PM.

O MP diz que uma das armas de fogo, de propriedade de Cleber, teve o registro adulterado com o objetivo de ocultar a autoria de 7 crimes de homicídios, sendo 4 tentados. No esquema que beneficiava Cleber, o tenente Thiago Satiro era o escrivão responsável pelo inquérito e participou na fraude com a troca dos documentos. Paccola aparece na denúncia como quem inseriu os dados falsos no sistema. Berison foi identificado na adulteração do registro da arma, via sistema. Sada Ribeiro figura como a pessoa responsável por auxiliar os articuladores do esquema. Segundo denúncia, ele como superior na escala hierárquica não mediu esforços para que as ações ilícitas não fossem descobertas.

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