Ministério Publico do Estado de Mato Grosso
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GAZETA

Policiais ganham liberdade

quarta-feira, 08 de maio de 2019, 14h21

NATÁLIA ARAÚJO
DA REDAÇÃO

Policiais militares acusados de planejarem a morte do 2º tenente do Batalhão de Operações Especiais (Bope) Carlos Henrique Paschiotto Scheifer são colocados em liberdade. A decisão é da 1ª Câmara Criminal que acatou o habeas corpus impetrado pela defesa. O julgamento teve início na semana passada, com o voto do relator, desembargador Paulo da Cunha, que negava a liminar aos acusados. Foi adiado devido ao pedido de vista do desembargador Orlando Perri, que ontem votou pela soltura dos militares após afirmar que entende o fato como um acidente. O terceiro voto foi do juiz convocado Francisco Alexandre Ferreira Mendes Neto, que também foi pela liberdade. Lucélio Gomes Jacinto, Joailton Lopes de Amorim e Werney Cavalcanti Jovino foram presos no dia 16 de março e a prisão foi mantida na primeira audiência para o julgamento realizada na semana passada.

Apesar do voto contrário do relator do HC, o desembargador Orlando Perri, após analisar o processo, chegou a definir a morte do tenente como um “lamentável acidente”. “Todas as circunstâncias, para mim, convergem nesse sentido”, explicou seu voto. Scheifer foi assassinado em maio de 2017, durante uma operação para prender ladrões de banco, na região de Matupá (695 km ao norte de Cuiabá). O militar foi atingido por um tiro disparado por Jacinto. De acordo com o Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPE), o assassinato foi resultado de uma desavença entre o comandante da operação e o subordinado. Jacinto matou um dos criminosos que eram procurados e Scheifer o denunciaria pela ação. Para Perri, o posicionamento da promotoria está baseado em suposições.

É o caso do momento em que um outro militar relatou que Jacinto perguntou se o comando da operação era legalista. “Mas isso não significa que a partir dali passaram a tramar a morte do tenente”, frisa. Para o juiz, não é claro também que os três policiais tenham combinado uma história para encobrir o fato, simplesmente porque pediram para outro militar os deixarem a sós. “Não tem sentido que, apenas no hospital tenham se reunido para combinar a versão que dariam aos fatos”, rebate. O magistrado diz que ainda existem dúvidas a serem sanadas e as respostas devem vir durante a fase de instrução probatória. Contudo, neste momento, para Perri, não existem elementos que justifiquem a prisão dos militares.

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