Ministério Publico do Estado de Mato Grosso
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DIÁRIO DE CUIABÁ

Grávida morre durante cirurgia para retirada de feto

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019, 11h28

Da Reportagem

Uma mulher, identificada apenas pelas iniciais I.J., que ficou mais de 24 horas internada na unidade de pronto atendimento (UPA) de Sinop (593 quilômetros, ao norte de Cuiabá), morreu durante uma cirurgia para a retirada do seu bebê, que veio a óbito ainda dentro da barriga da mãe. O fato foi registrado no último sábado (09), no Hospital Regional de Sorriso (HRS), distante a 85 quilômetros de Sinop. Nesta última quarta-feira (13), o Ministério Público do Estado (MP-MT) já havia alertado sobre a situação na região, considerada tão critica que pacientes em estado grave na área de obstetrícia estão sendo encaminhados para unidades hospitalares das cidades de Sorriso e Colíder em condições de risco tanto para a vida da gestante como para o bebê.

A paciente estava internada há mais de 24 horas, em estado grave, na UPA de Sinop, sendo regulada para o HRS no sábado, devido a suspeita de morte fetal. O transporte foi realizado por uma ambulância municipal, com o amparo de um médico e um enfermeiro. A paciente deu entrada na unidade hospitalar de Sorriso às 10h29, momento em que foi confirmada a morte do feto e realizado um procedimento cirúrgico de emergência. As informações dão conta que a gestante estava com a Doença Hipertensiva Específica da Gestação (DHEG), também conhecida como pré-eclampsia, uma complicação que provoca risco de morte. Durante o intra-operatório, a paciente sofreu duas paradas cardiorrespiratórias e foi encaminhada para a unidade de terapia intensiva (UTI) já com o quadro de morte encefálica.

Anteontem, o Ministério Público, por meio da 3ª Promotoria de Justiça Cível de Sinop informou que ingressou com ação civil pública requerendo que o Estado de Mato Grosso e a Fundação de Saúde Comunitária de Sinop, responsável pelo Hospital Santo Antônio, restabeleçam os atendimentos nas áreas de obstetrícia, nefrologia, oncologia e UTI adulto e neonatal aos usuários do Sistema Único de Saúde do município e região. De acordo com o promotor de Justiça Pompílio Paulo Azevedo Silva Neto, os serviços foram interrompidos na última sexta-feira (08), devido a mais de três meses de atraso nos repasses de recursos financeiros por parte do Governo do Estado para Fundação de Saúde, totalizando uma dívida de aproximadamente R$ 4,5 milhões.

De acordo com a ação do MPE a situação é tão critica que pacientes em estado grave na área de obstetrícia estão sendo encaminhados para unidades hospitalares das cidades de Sorriso e Colíder em condições de risco tanto para a vida da gestante como para o bebê. O promotor relata que no último final de semana mãe e filho faleceram após serem submetidos a um longo período de espera para atendimento sendo submetidos a procurar ajuda médica na cidade de Sorriso.

"O fato do Estado de Mato Grosso, não cumprir com sua obrigação em realizar os repasses previstos no contrato celebrado com a Fundação Comunitária de Saúde de Sinop, gestora do Hospital Santo Antônio, estão causando condição de extremo risco para a população local, carecendo da intervenção imediata do Judiciário a fim de obrigar o Estado e a Fundação a manterem, os serviços de obstetrícia, nefrologia, oncologia e UTI adulto e neonatal aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) residentes em Sinop ou região", ressaltou o representante do MPE na ação. Na ação, o MPE requer que a Justiça determine o bloqueio imediato nas contas do Estado no valor de R$ 2.974.341,32, consistente no montante de repasses financeiros em atraso (novembro/18 e dezembro/18), para restabelecimento integral dos serviços no Hospital Santo Antônio aos pacientes do SUS residentes em Sinop e região.

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