Ministério Publico do Estado de Mato Grosso

GAZETA

MP pede condenação de Zaqueu, Lesco e Gerson

quinta-feira, 04 de outubro de 2018, 16h35

LÁZARO THOR BORGES
DA REDAÇÃO

O promotor de Justiça Allan Sidney do Ó Souza apresentou na noite desta quarta-feira (3) as alegações finais do processo das interceptações telefônicas clandestinas, que tramita na 11ª Vara Criminal da Capital. No despacho, pede a condenação dos coronéis da Polícia Militar Zaqueu Barbosa e Evandro Lesco e do cabo PM Gerson Corrêa Júnior, delator do esquema de que ficou conhecido como “grampolândia pantaneira”. Por terem cometido dois ou mais crimes da mesma espécie e no mesmo período, Zaqueu e Gerson poderão pegar 23 e 18 anos de prisão, respectivamente. Devem ser absolvidos na avaliação do Ministério Público, os coronéis Ronelson Jorge de Barros e Januário Antônio Batista.

No entendimento do promotor, não foi possível encontrar indícios de que eles sabiam das reais motivações dos grampos, que eram ilegais e nem que os dois militares teriam feito alguma operação sem ordem de seus superiores. No documento, Allan do Ó frisou o fato de o cabo Gerson ter oscilado e alterado suas versões sobre o esquema em diferentes depoimentos. Por conta disso, ele não reconhece que o policial tenha direitos às benesses da “confissão espontânea”, o que poderia reduzir sua pena. Além disso, pontua o promotor, a confissão espontânea ocorre quando o réu auxilia na investigação do delito, o que era menos importante no caso de Gerson, uma vez que já havia uma denúncia anônima e uma série de reportagens que revelaram o esquema.

Uma das estratégias da defesa dos réus durante o processo foi tentar apontar ilicitude das provas, que chegou via denúncia anônima. Gerson Corrêa, em seus depoimentos, dizia que as provas das interceptações foram “roubadas” de seu computador na sede do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco). A tese chegou a ser defendida também pelas defesas de Zaqueu Barbosa e Evandro Lesco. No entanto, segundo o promotor, além de lícitas, as provas poderiam ser facilmente obtidas por outros meios, como ocorreu durante o inquérito.

“Assim, chega-se ao fim da análise dos fatos execráveis da intitulada ‘Grampolândia Pantaneira’, dignos de tramas como ‘House of Cards’ e ‘O Mecanismo’, o que seria cômico, se não fosse trágico, por infelizmente atingir em cheio a credibilidade da augusta instituição Polícia Militar do Estado de Mato Grosso, motivo pelo qual, reforça-se a necessidade de uma reprimenda adequada, principalmente em tempos nefastos, em que se esfacela aos poucos a respeitabilidade das instituições públicas”, escreveu o promotor.

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