Ministério Publico do Estado de Mato Grosso

GAZETA

Savi ainda recebe salários

terça-feira, 17 de julho de 2018, 10h46

PABLO RODRIGO
DA REDAÇÃO

Preso há dois meses no Centro de Custódia da Capital (CCC) sob a acusação de ser um dos líderes de um esquema de pagamento de propina com dinheiro desviado do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), o deputado Mauro Savi (DEM) continua recebendo salários pagos pela Assembleia Legislativa. Nos meses de maio e junho, o parlamentar recebeu um total de R$ 16.861, o equivalente a pouco mais de R$ 8,4 mil por mês. Os dados constam no Portal da Transparência do Poder Legislativo, segundo o qual, no mesmo período, os salários do democrata tiveram descontos mensais de R$ 16,8 mil.

O motivo para o corte não consta entre as informações, porém, é possível saber que Savi faltou a 35 sessões plenárias desde o dia 9 de maio, quando foi detido. Presidente da Mesa Diretora, Eduardo Botelho (DEM) confirmou que o correligionário continua recebendo salário, mesmo estando preso. Destaca, todavia, que o pagamento da verba indenizatória foi suspenso no mesmo mês da prisão. Segundo o presidente, a questão do pagamento de salário a Mauro Savi voltará a ser analisada. ‘Estamos nos baseando na decisão do STF [Supremo Tribunal Federal] que, ao afastar os conselheiros do Tribunal de Contas do Estado [TCE], por conta da operação Malebolge, não suspendeu os salários. Ele [Savi] deve receber o salário de julho ainda.

Depois do recesso, a Procuradoria vai analisar essa situação. O que o jurídico determinar, nós vamos cumprir’, ponderou. Sobre a convocação de um suplente para substituir Savi, Botelho afirmou que também tem seguido orientação da Procuradoria. ‘Só pode chamar o suplente após 120 dias. É isso que o Regimento Interno diz’, explicou, afirmando haver um parecer que sustenta que a Assembleia pode funcionar com apenas 23 dos 24 deputados. Mauro Savi já teve seis pedidos de habeas corpus negados no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e STF. Além de sua própria defesa, a Procuradoria Legislativa da Assembleia ingressou com parte dos recursos.

A interferência do Legislativo se deu porque os deputados chegaram a aprovar uma resolução da Comissão de Ética que tratava da revogação da prisão de Savi. Nem o TJMT, nem o STF, no entanto, reconheceram a medida como válida para decretar a soltura. Mauro Savi foi preso durante a Operação Bônus, segunda fase da Bereré, deflagrada pelo Grupo de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e pelo Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco) Criminal do Ministério Público Estadual (MP). Ele é acusado de intermediar o acordo que deu origem a um esquema de pagamento de propina com dinheiro do Detran que teria movimentado mais de R$ 30 milhões. Além de Savi, foram presos preventivamente o ex-chefe da Casa Civil, Paulo Taques, seu irmão, Pedro Zamar Taques, e os empresários Roque Anildo Reinheimer, Claudemir Pereira dos Santos e José Kobori. Todos negam as acusações.

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