Ministério Publico do Estado de Mato Grosso

DIÁRIO DE CUIABÁ

Juiz acolhe denúncia contra bisavó

quinta-feira, 14 de junho de 2018, 15h52

Da Reportagem

Da 1ª Vara Civil de Canarana (650 quilômetros, a leste de Cuiabá), o juiz Darwin de Souza Pontes acolheu a denúncia do Ministério Público do Estado (MPE) contra a indígena Kutsamin Kamayura, bisavó da recém-nascida enterrada e resgatada viva em uma cova nos fundos de uma casa, no último dia 5 de junho. O bebê, que é da etnia Kamayurá, foi enterrado logo após o nascimento pela suspeita, que foi denunciada pelo MPE por tentativa de homicídio duplamente qualificado. Porém, a Polícia Civil investiga a possível participação de outras pessoas no crime.

Com a decisão datada da terça-feira (12.06), a Kamayra se tornou ré e irá responder judicialmente pelo crime. A bebê, que recebeu o nome de Analu Paluni Kamayra Trumai, está internada na Santa Casa de Misericórdia de Cuiabá. Conforme a denúncia, a bisavó tentou matar a criança asfixiada e com a impossibilidade de defesa. O crime ocorreu na tarde do dia 05 de junho, na residência da acusada, que auxiliou no parto da neta Maialla Paluni Kamayura Trumai, de 15 anos.

Depois de cortar o cordão umbilical, a bisavó enrolou a vítima em um pano e a enterrou no quintal, numa cova de aproximadamente 50 centímetros. A bisavó chegou a dizer que enterrou o bebê, e não comunicou os órgãos oficiais, segundo costume de sua etnia. Porém, conforme o promotor de Justiça, Carlos Rubens de Freitas Oliveira Filho, a família não aceitava a gravidez da adolescente pelo fato dela ser mãe solteira. “Testemunhas relataram ao Ministério Público que a conduta criminosa foi premeditada e orquestrada semanas antes ao nascimento da criança”, informou o MPE.

A criança foi resgatada por policiais militares e civis cerca de 7 horas depois, após o recebimento de uma denúncia anônima. “Após o nascimento de Analu, no período da tarde, colocaram em prática o plano criminoso. Ninguém da família pediu qualquer tipo de auxílio ou ajuda à Casa de Saúde Indígena, apesar de Maialla, após o parto, apresentar hemorragia e precisar ser atendida”, traz um trecho da denúncia. Kutsamin Kamayura cumpre a prisão preventiva na Fundação Nacional do Índio (Funai) em Gaúcha do Norte. Além da bisavó, a avó da bebê continua presa.

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