Ministério Publico do Estado de Mato Grosso

DIÁRIO DE CUIABÁ

Preso por desvio de R$ 23 milhões

quarta-feira, 13 de junho de 2018, 11h07

Da Reportagem

Investigações do desvio milionários de uma cooperativa de produtores de cana-de-açúcar e álcool, em Campo Novo dos Parecis (396 quilômetros, a noroeste de Cuiabá), resultaram, ontem, na prisão do ex-diretor financeiro da entidade, Nivaldo Francisco Rodrigues, que estava com um mandado de prisão preventiva em seu desfavor. A prisão ocorreu durante a segunda fase da operação desencadeada pela Policia Civil.

A primeira fase da operação que apurou desvio de R$ 23 milhões da cooperativa foi deflagrada em julho de 2017. Na ocasião, a Polícia Civil conseguiu autorização da 2ª Vara da Comarca de Campo Novo do Parecis, com parecer positivo do Ministério Público do Estado (MPE), para bloqueio dos bens de Rodrigues, apontado como líder do esquema criminoso. Á época dos fatos, ele passou a ser monitorado por tornozeleira eletrônica.

Em continuidade aos trabalhos investigativos verificou-se que Nivaldo Rodrigues havia movimentado entre o final de 2017 e começo de 2018 cerca de R$ 1 milhão, ato a que estava expressamente proibido por determinação judicial e motivou nova prisão do investigado que foi cumprida em sua residência. De acordo com o delegado da Polícia Civil que coordena a investigação, Adil Pinheiro de Paula, os desvios na cooperativa podem ser bem maiores aos orçados inicialmente.

“Além do acréscimo de valores, a investigação avança com a identificação de outros integrantes da organização criminosa que usava notas fiscais de empresas de fachada em Mato Grosso e outros estados, como Goiás, São Paulo e Minas Gerais, para realizar os desvios como se o serviço tivesse sido prestado. São empresas que forneciam notas fiscais ‘frias’ e auxiliavam na lavagem de dinheiro”, explicou o delegado. As empresas seriam originadas na região de fronteira, Tangará, Sinop, entre outros.

O inquérito que tramita na delegacia do município apura crimes de furto qualificado pelo abuso de confiança e mediante fraude, associação criminosa e lavagem de dinheiro, cometidos por uma associação criminosa que se formou dentro da empresa por empregados e comparsas alheios aos quadros da Cooperativa, entre os anos de 2011 até junho de 2017.

Durante buscas realizadas com autorização da Justiça, no dia 12 de julho do passado, a Polícia Civil apreendeu farta documentação que prova o enriquecimento ilícito do investigado, Nivaldo Francisco, nos últimos anos. "Encontramos provas da movimentação de milhões de reais em curto espaço de tempo. Aquisição de muitos imóveis, rurais e urbanos, além de automóveis, contratos de aluguel, anotações sobre a construção e imóveis com gastos na casa de centenas de milhares de reais”.

Conforme a PC, são esperadas novas prisões vinculadas ao grupo criminoso. “Um mês após o desligamento de Nivaldo, ocorrido maio de 2017, ainda houve uma tentativa de desvio da cooperativa, quando o suspeito ligou para empresa solicitando que fosse realizado um pagamento de R$ 467 mil em favor de terceiro”, informou. A cooperativa conta com 46 cooperados, divididos em 19 famílias, sendo quase a totalidade dessas famílias residentes Campo Novo do Parecis e constituem parte importante dos geradores de renda e emprego da cidade.


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